Gattuso deixa Itália após novo fracasso e amplia crise histórica da Azzurra
A saída de Gennaro Gattuso do comando da seleção italiana encerra um ciclo curto, mas simbólico, de uma crise que parece não ter fim. Eliminada mais uma vez na repescagem das Eliminatórias, a Itália amarga a ausência em sua terceira Copa do Mundo consecutiva, um cenário impensável para uma tetracampeã mundial.
A confirmação da saída veio horas após o colapso esportivo que expôs fragilidades antigas do futebol italiano, dentro e fora de campo.
Uma eliminação que escancarou o problema
A queda diante da Bósnia, decidida nos pênaltis, foi o golpe final em uma campanha irregular. Mesmo com momentos de recuperação durante as Eliminatórias, a equipe não conseguiu evitar o roteiro que já se tornou familiar: desempenho instável, dificuldade ofensiva e dependência de jogos decisivos.

A Itália terminou atrás da Noruega na fase de grupos e precisou recorrer ao playoff, onde viu o sonho da classificação ruir mais uma vez. O resultado consolidou um jejum que já dura desde 2014 em Copas do Mundo.
Gattuso, que havia assumido o cargo em 2025, não resistiu ao impacto. Em comunicado, reconheceu o fracasso e afirmou que “era o momento de abrir espaço para novas avaliações técnicas”.
Saída em efeito dominó e crise institucional
A queda do treinador não aconteceu isoladamente. A eliminação desencadeou uma reação em cadeia na estrutura do futebol italiano. O presidente da federação, Gabriele Gravina, também deixou o cargo, assim como o chefe da delegação, Gianluigi Buffon.
O cenário aponta para uma reformulação ampla — não apenas no comando técnico, mas na própria organização do futebol no país. Há pressão por mudanças estruturais, incluindo maior espaço para jogadores italianos nos clubes e revisão do modelo de formação.
Um problema que vai além de Gattuso
A saída de Gattuso não resolve a raiz da crise. O treinador herdou uma seleção em reconstrução e com sinais de desgaste já visíveis desde campanhas anteriores. A Itália não disputa um Mundial desde 2014 e acumula eliminações traumáticas em sequência.
Mais do que resultados, o problema tem sido interpretado como estrutural: falta de renovação consistente, dificuldades táticas e um sistema que não acompanha a evolução do futebol europeu.
Gattuso deixa o cargo com menos de um ano de trabalho, reflexo de um ambiente de pressão constante e pouca margem para reconstrução.
O que vem a seguir para a Itália
Com o cargo vago, nomes experientes voltam ao radar. Técnicos como Antonio Conte, Massimiliano Allegri e até um possível retorno de Roberto Mancini aparecem como alternativas para liderar a nova fase.
A missão, no entanto, vai além de escolher um treinador. A Itália precisa reconstruir identidade, recuperar competitividade e, sobretudo, romper com um ciclo de frustrações que já deixou de ser surpresa para se tornar rotina.
No país que já ditou tendências táticas ao futebol mundial, o desafio agora é reaprender a competir.